Como pronunciar corretamente os nomes das grifes?

Uma dificuldade que encontro as vezes, principalmente aqui na Europa, é a pronuncia correta das marcas do mundo da Moda. Algumas italianas, outras americanas, outras francesas… E por mais que eu já tenha estudado ao menos um pouquinho os idiomas dos respectivos países, por uma questão já de costume no Brasil, muitas vezes sem raciocinar, não penso na hora de falar e já saio pronunciando da forma “aportuguesada”.

É muito comum no país as pessoas te criticarem quando se pronuncia uma palavra em inglês da forma errada, porém, é também muito comum essas mesmas pessoas pronunciarem errado quando a origem é francesa ou italiana, por exemplo. Até por serem dois idiomas que são bem mais estudados por hobby do que por necessidade, como é o caso do inglês.

Hoje entrei em contato com o Gustavo Asth, criador do Tumblr Como Fala, que publica imagens fazendo a alusão ao logotipo de cada marca (não só ligada a Moda), porém evidenciando como é a pronuncia correta. O Gustavo foi extremamente simpático, me respondeu prontamente, e me autorizou a reproduzir aqui as imagens de seu Tumblr.

 

1) Sephora (francesa)

 

2) LouBoutin (francesa)

 

3) Dolce & Gabbana (italiana)

Lembrando que o “b” por ser duplicado, o som é prolongado. Para nós brasileiros é uma diferença muito sutil, porém aqui na Itália se você não prolonga a letra duplicada na pronúncia, é notável. Inclusive, em alguns outros casos, mudando o significado da palavra).

 

4) Tommy Hilfiger (americana)

 

5) Yves Saint Laurent (francesa)

 

6) Givanchy (francesa)

 

 

7) Louis Vuitton  (francesa)

 

8) Versace (italiana)

 

9) Gucci (italiana)

 

10) Ray-Ban (origem americana, hoje italiana)

 

Pronto! Agora todo mundo já pode falar certinho! 😉

 

O rolezinho da classe média

 

A Forever 21 desde que anunciada a sua chegada ao Brasil, trouxe também polêmicas. O burburinho da vez é a opinião da assistente social Maria Emília Cerutti (veja o vídeo aqui), que vem tomando as redes sociais principalmente acompanhada de críticas, condenando a declaração da mesma, que se posicionou contra a instalação da marca no shopping Village Mall no Rio de Janeiro.

O Village Mall já era anunciado como um shopping de luxo, voltado para a classe A, com grifes como Armani, Louis Vuitton, Valentino, etc… Ou seja, de alta costura. Como qualquer estabelecimento, definiram inicialmente qual o público que queriam atingir. Você, eu, classe média do Brasil, sabemos que não temos condições financeiras para comprar rotineiramente produtos dessas marcas, é duro aceitar, mas é a verdade. Talvez, adquirir uma vez ou outra um produto, mas certamente não somos nós que mantemos essas grifes por anos em atividade.

Bom, para você continuar lendo esse post, essa é a primeira coisa que você tem que aceitar do fundo do seu coração: você provavelmente não é o público alvo das grifes de luxo. Aceitando essa primeira parte, podemos dar continuidade… Eu não sei quais as condições financeiras dessa assistente social, mas partindo do pressuposto que é uma consumidora de marcas de luxo, classifico-a como classe A.

No Rio, temos a festa “Baile da Favorita”, que ocorre na Rocinha e vende ingressos a partir de 200 reais. É uma festa voltada para a classe média, que saem de seus apartamentos bem localizados, em bairros valorizados, e frequentam o baile funk por um valor equiparado aos de ingressos de shows internacionais, afinal, é “cool” hoje em dia ir a favelas e poder ostentar seu poder aquisitivo em um ingresso caríssimo para ouvir funk (o mesmo que ninguém suporta ao ouvir no Esquenta). A classe média invade o espaço das classes menos abastadas, porém, deixaria de frequentar certamente o Paris6, se o mesmo começasse a ser frequentado pelos moradores dos locais onde ocorrem os bailes funks.

Eu acho que a grande questão que faz a declaração dessa senhora ser tão criticada, é o simples fato de que agora a crítica foi direcionada para a classe média. A mesma que enche a boca pra falar que comprou uma calça da Zara, enquanto a mesma fora do país tem preços tão populares quanto uma H&M. A mesma classe média que torce a cara para uma Riachuelo, enfrenta filas gigantescas para comprar em uma loja tão popular quanto como é a Forever 21. Porém, a Forever 21 não é brasileira… Vocês viram a marca em uma de suas viagens para Nova York, no qual, provavelmente voltaram trazendo um PS4 por um valor muito mais em conta, já que no Brasil essa compra pesaria no seu orçamento.

Sabem aquela frase que também corre as redes sociais, “Seja a mudança que você quer ver no mundo”? Sugiro a classe média, e quando falo isso me refiro a mim também, a parar de compartilhá-la e começar a refletir sobre ela.

Sejam honestos ao menos com vocês mesmos: vocês continuariam frequentando Paris6, Outback, Mirroir, ou qualquer outro local voltado para a classe média,…continuariam comprando na Zara, na Animale, na Farm,… Se as camadas mais populares do país também começassem a ter acesso? Imaginem aquele local que vocês frequentam no final de semana, acompanhados dos amigos que possuem condições financeiras semelhantes, invadidos por favelados ao som de funk no celular. Vocês realmente não teriam um pensamento semelhante ao dessa assistente social?! Vocês não escolhem os locais que vão pelo status também? Vocês podem até curtir um samba na Pedra do Sal, podem até ir pra quadra da Mangueira, mas a maioria se sente incomodada sim quando pessoas de classes sociais menores invadem os espaços que frequentam, após assumirem que o local é destinado a uma classe mais elevada.

Pra encerrar, a minha opinião pessoal:

1) o Village Mall errou por ter saído tão bruscamente da proposta inicial. Aqui em Milão, apesar de não termos shoppings, a H&M não ocupa a mesma rua que o Cavalli. Isso não tem nada a ver com preconceito, e sim com estratégias de negócios. Quem compra na H&M é quem compra na Zara, quem compra na Bershka… Quem compra Cavalli, é quem compra na Chanel, é quem compra na Cartier.  E isso não me impede, e nem me faz sofrer preconceito se resolvo andar na rua das lojas de grifes com as minhas sacolas da H&M.

2) Todos devemos questionar até onde vai o nosso preconceito e até onde a segregação nos incomoda. Ela nos incomoda sempre, ou só quando nós somos atingidos?

3) A classe média está sofrendo uma crise de identidade, e a frase usada ironicamente pela mesma como “a classe média sofre” acompanhando  foto na piscina de um hotel 5 estrelas, faz mais sentido quando vejo essas críticas em relação a declaração da Maria Emília Cerutti entrando em choque com os comportamentos habituais.