FAQ sobre morar em Milão

Olá, pessoal!

Voltei… e agora estou em Bolonha. Depois de muita correria aqui, consegui um tempinho para atualizar o blog. A minha ideia era de no primeiro post escrever um pouco sobre Londres e o curso que fiz lá, mas recebi tantas perguntas nesse meio tempo sobre como era morar em Milão, que esse post entrou como prioridade.

Então, para quem está vindo para cá nestes próximos meses, confiram as respostas para as perguntas abaixo:

1) Como é a cultura italiana? Como foi sua adaptação em relação a isso?

A cultura italiana é muito diferente da brasileira, apesar de entre as culturas europeias ser a que me parece a mais próxima de nós. No geral, ela tende a ser mais machista… mas não parece incomodar as mulheres daqui. Muitos detalhes da cultura deles eu gostei, como o de não haver moteis nas cidades pois eles consideram ser algo muito frio frequentar um, o de cozinhar como demonstração de afeto, a de parar para comer e não ficar fazendo mil coisas enquanto isso… Quanto a adaptação a cultura, não foi algo tão difícil.

2) Foi fácil aprender o idioma?

Foi. Obviamente não falo perfeitamente e agora por estar tendo um contato maior com brasileiros voltei a me atrapalhar com algumas pequenas coisas, mas foi super fácil aprender a língua ao ponto de não ter mais problemas em me comunicar. Aqui é mais fácil alguém te entender se falar em Português do que se falar em Inglês, como disseram todas as pessoas que eu recebi em Milão e não falavam Italiano. Eu cheguei aqui falando Português e Espanhol, já havia feito 2 meses de Italiano 2 anos antes de vir mas isso foi o mesmo que começar do zero. Para vocês terem uma ideia das avaliações pelas quais passei: antes de vir fui avaliada pela faculdade em um teste online e me consideraram como A2, depois de 2 semanas aqui fui avaliada oralmente e classificada como B1, umas 3 semanas depois sem ter frequentado as aulas porque já havia atingido o mínimo exigido (no caso o B1) fui classificada como B2.

3) Você sofreu preconceito?

Sim, mas nada relevante. No geral, com brasileiros, os italianos são bem receptivos… Até porque, nós estamos sendo vistos como as “galinhas dos ovos de ouro” por aqui, mas passei por dois casos: o primeiro foi ao ligar para uma mulher e tentar tratar por telefone o aluguel de um quarto, onde inicialmente foi bastante receptiva até que eu errei uma palavra em italiano e ela percebeu que eu era estrangeira e perguntou de onde eu era. Respondi que era brasileira e ela mudou o rumo da conversa dizendo que não alugaria para mim. Depois de me fazer algumas perguntas e nesse meio tempo verificar o quanto eu recebia da CAPES para estar aqui, ela mudou novamente a conversa e começou a me bajular e tentar justificar sua ação xenófoba anterior. O segundo, que fui saber bem depois, foi um comentário do proprietário da casa onde eu morei com o meu antigo coinquilino… Quando liguei e falei que era brasileira, ele disse a esse garoto que eu deveria ser ou puta ou trans.

4) Como foi conseguir moradia?

Moradia foi sem dúvidas o que mais me causou problemas aqui. Vim pra cá certa de dividir uma casa com um italiano que conheci pelo CouchSurfing, o garoto era um tarado e eu depois de uma semana fui para um hotel. Depois de uma semana em um hotel, fiz um novo contrato de aluguel que não foi concretizado por um problema que tive com o Itaú na transferência do meu dinheiro para mim. Em seguida, fui para o apartamento onde fiquei a maior parte da minha estadia em Milão, mas o proprietário de lá (o mesmo do comentário “É brasileira, ou é puta ou é trans” é a pessoa mais sem caráter que eu já vi na vida… Embolsou o caução de uma estudante anterior, alugou o meu quarto no primeiro mês para duas pessoas ao mesmo tempo, não pagou as contas e eu tive a luz cortada na noite do dia 24 para o dia 25 de dezembro, não registrou o contrato… Até que nesse final, desisti e vim morar em Bolonha para tentar ter paz ao menos no meu último mês por aqui.

5) Como é a segurança na cidade?

Apesar de ser menos violenta que o Rio de Janeiro, existem MUITOS trambiqueiros. Entre todas as voltas que tomei e todos os furtos, meu prejuízo foi maior em 1 ano de Itália do que toda a minha vida no Rio. Nem dentro da sala de aula é seguro, furtos acontecem quando você apenas sai para ir ao banheiro ou até mesmo se você só pisca os olhos. Outra coisa que também fui muito alertada ao chegar, foi quanto aos estupros… principalmente por ser visivelmente estrangeira e ser mais vulnerável a isso.

6) Como é o transporte em Milão?

Você certamente chega com mais facilidade em outros pontos da cidade do que morando no Rio. A cidade é mais ou menos, para quem conhece o Rio de Janeiro, do tamanho da Barra/Recreio e apesar de ser considerada uma cidade grande na Itália, para quem vier de alguma cidade grande no Brasil sentirá uma grande diferença. Os transportes geralmente funcionam entre 6:30 e 00:30 e o metrô entra em greve o tempo todo! E tentar se descolocar usando apenas o bus e o tram para ir até o outro lado da cidade, é uma experiência para promover a sua paciência e te fazer alcançar a evolução espiritual. A passagem unitária custa 1,50 euros e o abbonamento de estudante (uma espécie de Bilhete Único) 22 euros/mensais.

7) O que tem para fazer na cidade?

Basicamente boates, aperitivos e salão de qualquer-coisa. Para quem está acostumado a frequentar “barzinhos” sentirá uma diferença enorme como eu senti, mas para quem está acostumado a ir a boates será mais fácil a adaptação. Tirando o pequeno detalhe das discotecas por aqui fecharem por volta das 2h, 3h da manhã. Os salões acontecem ao longo do ano geralmente na Rho Fiera, entre eles a feira de mobiliário, de automóveis, uma similar a feira da Providência que temos no Brasil,… E os aperitivos normalmente funcionam entre 19:00 e 23:00, onde você paga por volta de 10 euros pelo buffet e mais uma bebida.

8) Como a crise está afetando a Itália?

Drasticamente. Até mesmo Milão que é a São Paulo do Brasil, está em uma forte crise… Muitas pessoas desempregadas, muitas alocadas em vagas totalmente diferentes de suas especialidades, mais ou menos 70% dos jovens saindo da faculdade e ficando desempregados, enquanto entre os 30% restantes muitos não exercem suas profissões, estágios na maioria não remunerados e pessoas que tiveram a jornada reduzida proporcionalmente ao salário. Não aconselho a ninguém vir pra cá sem ter algo bem encaminhado. Se a sua intenção é ganhar dinheiro e ter oportunidades melhores do que as encontradas no Brasil, sem muitas dificuldades com legalização, os melhores locais são Austrália e Estados Unidos se forem fora da Europa e Irlanda se for na Europa.

9) Como é o custo de vida?

Algumas coisas mais caras, outras mais baratas… Mas o custo de vida em Milão, no final, é o mesmo que no Rio de Janeiro.

10) Como são os homens italianos?

Eu não ia colocar essa pergunta aqui… Mas se tratando de “perguntas frequentes” essa certamente foi a que mais me foi feita, tanto por mulheres quando por homens curiosos. Analisando tecnicamente são melhores que os brasileiros, mas por uma questão cultural eu prefiro os brasileiros. Os italianos são bem mais carinhosos, mas o foco deles é totalmente a sedução. O objetivo é convencer o maior número de mulheres a irem pra cama com eles, ainda que nenhuma ao final de fato vá. A sedução para eles é mais importante do que a relação sexual em sí. Conseguiram entender?! É meio difícil buscar palavras sutis para explicar isso. :/