Fendi, o restauro da Fontana di Trevi e a crise italiana

Finalmente abriu um espaço para encaixar Roma na minha vida e lá fui eu louca para ver a Fontana di Trevi.

Alguns dias antes, me deparo com a notícia de que o local já estava em processo de restauro e todo o meu plano de jogar a moedinha na fonte e fazer o meu desejo, iria por água abaixo. Na verdade, água seria o que eu não iria ver no local.

As obras na Fontana di Trevi  já era anunciada desde 12 de dezembro de 2012, quando a grife italiana firmou o contrato no qual se comprometia em investir na restauração do monumento aplicando cerca de 2 milhões de euros.

Apesar de todo o marketing que foi feito com o objetivo de não cessar o turismo no local, a verdade é que chegar para ver o monumento envolto por andaimes e sem água é um pouco decepcionante. A restauração teve início em junho e nesta semana, no primeiro dia que fui ao local, ainda não haviam disponibilizado a passarela que já deveria estar em funcionamento até o final do mês passado. Conversei com um senhor que monitorava a obra e o mesmo me disse que tudo ocorrendo bem ela estaria disponível na manhã seguinte. Voltei e mais uma vez tive que lidar com a frustração: uma fila enorme para se aproximar mais das esculturas e policiais apressando os visitantes que mal conseguiam tirar suas fotos ou lançarem suas moedinhas na fonte. Sem água.

Todos os monumentos de Roma praticamente estão em processo de restauro com ajuda da iniciativa privada, como é o caso do Coliseu que recebeu 25 milhões oriundos da empresa de calçados Tod’s. Ainda que seja um susto para os turistas encontrar praticamente toda a cidade em obra e se deparar com paisagens bem diversas dos cartões-postais, a prefeitura de Roma como já anunciado, não teria condições de arcar com tudo isso. A Fendi, no caso, considerando o investimento feito em outro complexo de fontes da cidade, está investindo mais de 320 milhões. Em contrapartida, após esse investimento, a grife terá uma placa ao lado do ponto turistico informando a sua contribuição.

A previsão para o fim das obras na Fontana di Trevi e no Coliseu é para o segundo semestre 2015, mas outros locais também podem ser avistados passando por restauros como é o caso do Altare della Patria e da Piazza St. Pietro (Vaticano). Esse tipo de acordo entre Governo e as empresas privadas foi feito justamente com o intuito de driblar a crise no país, já que os cofres públicos atualmente se encontram vazios mas os bolsos dos políticos não e o turismo faz o capital externo entrar no país. Para as grifes italianas isso também é uma vantagem, não pensem que todos se solidarizaram com o pobre do Netuno rachado na Fonte… são os famosos cartões-postais do país que atraem os turistas, os mesmos que compram e  promovem o movimento comercial no país. Outras marcas também estão investindo em arte dentro da Itália, como a luxuosa grife Prada que sem divulgar o valor investido, restaura “A última ceia” de Giorgio Vasari que foi danificada após ficar horas debaixo d’água em 1966 quando Florença inundou.